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Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

domingo, 10 de outubro de 2010

Ledo engano

Hoje procurei dentro de mim, o menor resquício de um alguém que já teve vida, viveu, sorriu e pensava ser feliz. Pesquisei dentro de tantos caminhos algo, qualquer percurso que pudesse me levar a este retrocesso e reviver o entusiasmo de ser eu. Com todos os percalços, com todos os entraves, mas a alegria de sentir na pele o quanto era importante viver. Busquei lembranças que haviam sido apagadas pelo tempo hibernado em introspecção, em labutas, no cotidiano que nos transfere valores que antes pareciam tão nossos, tão rotineiros e passamos a conviver com outras atitudes, com outras formas de vida.

A princípio fazemos por desejar que a realidade interior seja tamanha que transforme a realidade exterior. Aos poucos, vamos percebendo que atitudes factuais e revolucionárias há de se ter conjunto; violinos, pianos e saxofones que tocam sozinhos não formam a ópera. Faz-se muito mais para que nossos pequenos gestos, atitudes em prol do que o outro espera de nós, de fato, se transformem em realidade circundante e em nossa própria crença do que queremos e optamos para nós mesmos.

Se já se mencionava que a paixão é cega, hoje aceito o fato de que essa cegueira é convencional e tem suas próprias razões. Talvez as mais inconcebíveis possíveis, mas o humano utiliza de meandros apaixonantes, sorrateiros e deslizantes para dissimuladamente alçar seu objetivo. Pensa ser seu objetivo no instante em que o imprescindível é realizar seu desejo mais íntimo. Mas, esquece que as pessoas, tudo a nossa volta muda a todo instante. E quando se depara com o mérito alcançado, descobre que todas as renúncias que fizera todos os atos, bons ou indignos, não justificam ao resultado obtido.

A vida não espera que a flecha volte e seja outra vez lançada, não espera que partamos do princípio e voltemos ao zero, oportunizando a reconstruir, recomeçar o que longinquamente nossas opções e escolhas fizeram de nós mesmos. O tempo, este arcabouço convencional que se apodera desde nosso amanhecer e dita às regras da vida, o espaço que precisamos para romper barreiras, para imprimir nossa marca. Este mesmo volta a cobrar-nos o atual, pois nada podemos com o que já fora. Impotente diante do ontem, qual pássaro aninhando-se em seu profundo escudo, no aconchego do seu covil, ardileza para no futuro obter a conquista de um desejo dos mais antigos do humano: ser feliz!

Qual nada, o caminho perdido por nós mesmo há de se ter retorno, o que deixamos se perder em manobras para conquistar os outros não há como retroceder. Somos vítimas da arapuca que pensávamos encontrar a felicidade. Buscávamos no outro o que desenhamos em nosso mais puro íntimo. Era tão verdadeira a imagem criada que nos era real. Mas era apenas uma obsessão de uma imagem de quem de fato acreditávamos ser nossa criatura. Mas não éramos criadores! Apenas Narcisos que se enganaram com a imagem criada. E nos afogamos no amor que pensávamos construir. E continuamos seguir os passos primeiros por pensar lograr o êxito. E persistimos desculpando a nós mesmo todas as derrocadas por medo de admitir o erro. O erro de não ver o que devera ter visto. Iludidos, ignorantes do amor, nos entregamos sempre arriscando à reputação, a vida, a alma, a vontade de viver e continuar a lutar para ser feliz.

Mas se um dia após o outro ainda está sendo subsequente é razão plausível e justificável de que permanecemos humanos e acreditando que o amor em sua própria intransitividade, existe. Se existiu algum dia, se um dia foi crédito para nossas ações, há de uma vez mais existir. Há de uma vez mais promulgar sua forma mais honrosa, sua maior dignidade em sua mais alta magnitude e simplicidade, qual ao lago que brandamente espera o cisne adentrá-lo e em sua majestosa postura delinear suas águas, tão placidamente qual um príncipe sem alarde nem exibição de luxo. Apenas porque o amor não é luxo! É necessário à vida! Mas carece da serenidade de um lago para poder arremessar o galope quando este for preciso à quebra da rotina.

Kátia Teixeira

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