Assim que minha morte sobrevir,
não espere me encontrar em você.
Nada deixei de presente!
A não ser meu eu mais íntimo,
a dor presente e dilacerante,
a ausência profunda, torturante
Eis a vida, eis meu eu, eis a mim!
Aqui chegaste!
Então não me procures mais,
pois já me encontrastes....
Sou um caminhante sem ermo
que divaga em seus próprios erros
e em nenhum se acha,
pois eles são ideologias sociais.
Dissimula a dor num sorriso amarelo,
destrói a piedade capciosa,
semeia a dúvida.
Alterna entre o máximo do SER
ao mais alto do condoreiro,
e o odor lamaceiro.
Piedade não é para ter!
Não estou aqui para admitir,
fui e estou para contradição.
Sou o asno dos piegas,
sou o antagônico do sentimental
o antônimo do amor fatal.
Hoje sou uma,
amanhã, procures-me
na flor orvalhada
que a aurora fez surgir!
No adeus dos amantes
Que o acenar os comoveu...
No olhar de desprezo
Que ousou me eliminar.
Sou o nada do tudo que esperavas,
ainda assim estarei intacta:
na mais simples flor,
singela palavra,
gesto dantesco,
na irreverência d’uma época,
no sorriso mascarado,
no beijo apaixonado,
na quietude sombria,
no desejo inatingível,
na máscara do dia-a-dia
de tudo estar sempre bem.
Tudo bem,
sempre bem..
Kátia Teixeira
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