Seja bem vindo

Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

domingo, 10 de outubro de 2010

ANTAGONISMO



Assim que minha morte sobrevir,

não espere me encontrar em você.

Nada deixei de presente!

A não ser meu eu mais íntimo,

a dor presente e dilacerante,

a ausência profunda, torturante

Eis a vida, eis meu eu, eis a mim!

Aqui chegaste!

Então não me procures mais,

pois já me encontrastes....

Sou um caminhante sem ermo

que divaga em seus próprios erros

e em nenhum se acha,

pois eles são ideologias sociais.

Dissimula a dor num sorriso amarelo,

destrói a piedade capciosa,

semeia a dúvida.

Alterna entre o máximo do SER

ao mais alto do condoreiro,

e o odor lamaceiro.

Piedade não é para ter!

Não estou aqui para admitir,

fui e estou para contradição.

Sou o asno dos piegas,

sou o antagônico do sentimental

o antônimo do amor fatal.

Hoje sou uma,

amanhã, procures-me

na flor orvalhada

que a aurora fez surgir!

No adeus dos amantes

Que o acenar os comoveu...

No olhar de desprezo

Que ousou me eliminar.

Sou o nada do tudo que esperavas,

ainda assim estarei intacta:

na mais simples flor,

singela palavra,

gesto dantesco,

na irreverência d’uma época,

no sorriso mascarado,

no beijo apaixonado,

na quietude sombria,

no desejo inatingível,

na máscara do dia-a-dia

de tudo estar sempre bem.

Tudo bem,

sempre bem..

Kátia Teixeira

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