A vida é feita de sucessos e fracassos!
Nunca fomos avisados que todos que alcançaram o sucesso precisaram superar sucessivamente as derrotas. Aprenderam a lidar com perdas que pareciam insuportáveis. Possibilitaram o não quando de fato a negação era a mais acertada resposta; disseram poucas vezes um sim, mas quando o fizeram, sabiam o quanto representavam a liberdade de ser o que de fato é, e, fazer as escolhas sabendo das restrições e possibilidades.
A vida é assim, sem receios idiotas de sermos apenas as expectativas dos outros. Ser o seu íntimo relutante em enfrentar os medos, as hipocrisias é o grande passo de desmascarar a inquietação de pertencer a algum grupo, a alguém ou apenas ser o ditame do momento: seria uma Maria-vai-com-as-outras !
E nossa vontade mais íntima onde estaria? No desejo de representar uma personagem sempre viável aos outros? Quando satisfazemos os outros estamos nos satisfazendo também? Ou, quando estamos plenamente realizados, somos capazes de transformar o universo ao nosso redor e fazer do nosso círculo uma entidade simples e benéfica, alegre e verdejante! Nesse instante, não apenas nosso jardim é possível florir, mas semear os jardins alhures de sementes belas e, talvez, frutíferas.
Querer o sim que acorrenta aos mais bobos e duvidosos sentimentos é humano, e, gostamos até de nos fazermos de refém; de nos sentirmos cegos por mera conveniência. Mas dizer sim ao amor que tanto a alma necessita, acorrentando todos nossos anseios e expectativas inerentes ao amor, são de fato uma necessidade estrutural ou social de satisfazer ao outro? Estar próximo ao outro, sentir a parceria, a reciprocidade e se expor a vicissitudes de sofrer ou tirar o grande prêmio de sermos vitoriosos e ganhar o amor desejado é expor-se a vida! Então, vivamos, entreguemo-nos a vida como quem se joga ao lago para banhar-se...
Viver é correr riscos de encontrar na esquina o inimigo que jamais soubera existir. É conviver com o mais íntimo ser humano e saber ser este o maior de todos os nossos inimigos. Às vezes com palavras brandas e voz doce, faz-nos acreditar que podemos transformá-los pelas nossas convicções. Mas com esses amigos serpente, inimigo visível, devemos sempre exercitar a temperança em momentos de extremo desafio, embora a vontade fosse ser rude e, replicar a altura do que ouviu. Mas o feito entre o fazer, é subliminar. O gesto que ainda está por vir, pode ser o mesmo que nos arrependemos de tê-lo praticado. O instante entre um e outro. O exato momento entre o erro e o acerto são cifras de segundos que podem nunca mais haver possibilidade de retorno.
Faz um bem enorme saber que fomos feridos mortalmente em apenas algumas palavras discrepantes do nosso imaginário, pois somos vítimas e todos gostam sadicamente de serem vítimas. Faz um mal muito maior sermos os apedreja dores, remoermos gestos e atitudes irrevogáveis, pois já pertencem ao passado e, não estamos mais no controle da situação, mas dependemos da honraria ou apedrejamento do outro.
E, depender do outro para sermos felizes é burrice! Mas, parece que o momento social carece de uma burrice científica. Faz lembrar-me de Ruy Barbosa: "Há tantos burros mandando/ Em homens de inteligência/ Que às vezes fico pensando / Que a burrice é uma Ciência”. Precisamos acreditar em nosso potencial, em nossas verdades interiores e principalmente ouvir a voz que insiste em nos dizer não siga por esse caminho! Não percorra esse roteiro!
É interessante, o quanto nossa alma nos diz e não cremos. E vivenciamos os anseios cegos de nossa vontade. Prosseguimos por caminhos que nosso coração insiste em dizer que irá nos fazer sofrer! Mas, então não devemos nos permitir arriscar? O maior erro humano não é errar e sofrer seus erros, mas é o infinito medo de errar. Somos passíveis ao erro e, ele é essencial ao crescimento espiritual e tão restritamente humano.
A perda é sempre parte constante do ganho! É neste mérito que aprendemos, a saber, valorizar o hoje, o agora, o presente que Deus nos permite: o instante! Esse ponteiro que urge ligeiramente neste prospecto do tempo, ao qual nos habituamos a chamar relógio. É neste instante entre o exato momento em que falo ou calo; entre um gesto parcimonioso e irascível; entre uma atitude ou outra; entre um não ou um sim... Neste momento, surge a imperceptível condição do erro e do acerto. Mas o que é errar e acertar? É estar entre o convencional social ou contra ele! Entre nosso âmago e o desejo de espelhar o desejo dos outros. O medo pode nos fazer reféns infinitos de um desejo que poderia ser realizável! Pode nos permitir vivenciar os amores, a vida como um experimento de sensações e gostos. Pode também nos trazer obstáculos que irão permear nosso íntimo em sofrimentos e desgostos. Mas, como viver sem experenciar? É de certa forma não viver.
Precisamos entender nosso coração, nossa necessidade de palavras e de silêncios! Cada um em seu próprio tempo. E todos tão inerentes às relações humanas. Silêncio e palavras se complementam. São opostos que se nutrem como em relações de ganhos e perdas, de preenchimentos e vazios, de ressonância e surdez absoluta, entre um pólo e outro. Mas, inexoravelmente é necessário a vida. Esta é a única forma de viver e não apenas existir!
Assim, possamos ser nós mesmos em discrepância com a imaginação do outro ao nosso respeito, em consonância com a nossa alma, nossas verdades interiores, com nosso desejo mais profundo. Somente desta forma podemos entre unanimidades burras e disparidades relevantes sermos nós mesmos!
Possibilitaremos vivenciarmos em cada estação do nosso ciclo o esperado ou o temido. Então, esperemos o que nos é permitido, mas entendamos o que nos possa surpreender, sem permitir barrar a vida que se faz a cada instante em promulgarmos nossa vontade em direção ao nosso bem maior. Nossa felicidade é promulgar a felicidade do outro. Somos como uma pedra jogada em meio ao lago sereno formando ondulações. Somos essas ondas que espraiam sobre todo o lago a felicidade. Então, sejamos felizes e conseqüentemente, faremos os outros felizes.
Kátia Teixeira.
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