Quem és tu?
Mente podre que arma,
Qual caçador engana a presa
Que no teu laço
Se debate e se deixa laçar...
Tão vil combate,
Arquitetas estratégias
Repleta de podridão fétidas,
Intentas e ruminas
Na mente assassina,
o espetáculo do abate.
Como asno que rumina
O próprio vômito combina,
E vomita
E torna ainda,
Outra vez
A despojar-te
No vômito que
acabara de alimentar-se.
Ganhas tempo como em folguedos
Passa horas entre debater e aquietar-se,
Na fétida sujeira
Da alma que enlameia,
Nos esgotos sórdidos da surdina
Ao qual tão bem combina
A sordidez e o beijo de latrina
Que em tua boca
Soçobre e aniquila.
Quem és tu?
Podre féretro que entre gente vagueia,
De vil escárnio tão doce alardeia
A sujeira quase que cristalina
Que a todos engana e se encandeia,
Qual teia para prender o alvo
Termina presa ao próprio espetáculo
De tão podre, tão vil, tão asno.
Quem és tu?
Mísera semelhança do humano
Que em igual condição nos irmana,
A ti somos presos por vil engano:
És chaga, serpente desumana
Que dilacera almas, horripilante.
Surrupia com calma e desfaçatez,
Envenena as doces mentes insanas.
Ainda se diz humano?
Quem és tu?
Figura em que te assemelhas?
Se estraçalha e lambe,
Se mordes e abana,
Se ao matar se diz vencedor,
Se ao ver o morto rir-se
De se mesmo é enganador
Pobre humano que em ti se espelha!
Vilipêndio d’alma que escarnece,
A podridão que de ti espalha:
Fétida, podre, visco asqueroso!
Podes ser humanos o que refletes?
Lampejos de satã
Em forma doce e sã,
Que a todos engana
No contar da tuas teias
Que corre fel em vez de sangue
Em tuas veias!
Serás humano o teu espelho?
Narciso em ti se incendeia!
Kátia Teixeira
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