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Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

domingo, 10 de outubro de 2010

DISCRIMINO O QUE VEJO COMO UM CONCORRENTE DO QUE QUISERA SER, MAS MEDRO.


Dispo-me de conceitos que pensara possuí-los e deparo-me com conceitos que nem sequer ousara os haver pensado. A vida vai dia a dia aos poucos pondo-nos em um lugar que se distancia de todos. Talvez sejamos nós que distanciamo-nos por não fazer parte da forma consistente de buscar e encontrar noutros subterfúgios, ilegalidades sociais cometidas com sutileza. Sempre é válida a piadinha que ninguém sorrir, ainda assim, fora dita com o intuito de se agrupar, de pertencer a legiões que determinam que sejamos felizes, alegres e transmitamos uma luz esplendorosa.

Nunca percebemos e respeitamos a maneira de ser do outro. Que seriam dos artistas, dos comediantes se todos fossem como eles? Não haveria platéia. Ainda nos habituamos a cobrar do outro o que não sabemos como nos comportaríamos em determinada situação, ainda que de pronto possamos dizer: “ “jamais agiria assim”! Estas respostas prontas são o eterno paradigma em que se colocam os “bonzinhos” e os “bandidos”. E como todo mundo se diz ser bonzinho, esta é uma resposta pronta e acabada. Quando no escuro de sua própria vida maculara várias vezes, em formas distintas esse ideal de ética.

Ao negarmos nosso afeto, negligenciarmos uma pessoa, discriminá-la e até rejeitá-la com a base do “diz-que-me-disse” não somos capazes de nos isentar destes preconceitos que em nada há de comprovado, apenas o boca a boca, a mais perfeita unanimidade burra da qual já nos falava Nelson Rodrigues. São estes que sempre preferem usar a fofoca mal intencionada, nada mais faz que brotar uma flor de lama na cabeça de tantos que não sabem se livrar nem das mais belas flores, quiçá saber discernir entre o que é e o ser que representa. E a verdade da fofoca passa a ser absoluta. Como se houvessem verdades absolutas. Mais uma técnica de adquirir confiança no grupo e os arrastarem ao que acreditam ser o magistral púlpito da ética, dos bons procedimentos, da educação e do “ser bonzinho”!

Mas, ser apedrejado sem direito a defesa é uma ação terrorista e por que não dizer sádica. Satisfaz ao ego perceber que todos compactuam do meu comportamento, de minha verdade, verdade essa escondida e camuflada para que de fato não percebam quem de fato é o atirador de pedras. Além de demonstar uma inveja de ver o outro tão dono de si, de sua própria vida e seguir sozinho fazendo seu caminho entre todos esses massacres, mas seguindo. O covarde se esconde em nada assumir, nem mesmo a fofoca descabida.

Ninguém que oportuniza conhecer o outro e se afogar neste outro, sem alertá-lo, persuadi-lo e ainda assim continuar em busca deste amigo perfeito, jamais pode ser chamado de amigo, colega ou algo assim. Ao contrário é o próprio disfarce da hipocrisia em que se sustenta. A pressa cotidiana, a maledicência humana nos distancia dos parâmetros humanos. É mais fácil atirar pedras que flores. E, se assim fosse feito, seria mais digno e honesto. Ao menos não ficaria no sublimar de descartar alguém de seu reduto apenas por não pertencer aos mesmos dogmas, à mesma tribo e todos saberem que a tribo dribla a ética da perfeição, sutilmente usa as máscaras de serem honestos, acima do bem e do mal, principalmente quando a conversa passa pelo campo subjetivo de nada comprovar e apenas alardear o que se supõe sobre alguém.A forma mais vergonhosa de não ter poder de dizer frente ao outro o que e porque estou lhe excluindo de minha vida e fiz meu grupo crer no que digo. Mas, simples, a gentileza hipócrita é mais subjetiva e não coloca ninguém no corpo a corpo. Minha verdade vira absoluta aos que a ouvem e seguem sem perceber que uma flor de lótus morre na lama. Mas se dizem elevados culturalmente, tecnicamente e espiritualmente apenas para enganar a maioria dizendo-se ter uma religião mascaro quem sou por pertencer a ela, Mera ilusão. A religião não é responsável pela nossa mesquinhez humana, apenas aplaca nossa culpa por nossa perversão em relação ao outro.

Esses mesmos, que com tamanha facilidade apontam, julgam e discriminam claramente o outro, são expurgos de tantos outros. Uma vez, quando passo a rejeitá-los de certa forma abomino algo que o outro tem e desejoso de também ser da mesma maneira é mais perspicaz expugnar. Assim, manter-se distante do rejeitado, aquele concorrente do meu eu que tento tanto esconder é uma questão de concorrência desleal e desumana. Pois, nega ao outro a oportunidade de defesa. Arde-se em inveja por aquele além de fazer claramente o que ensejo às escondidas, ainda é uma representação clara do perigo em retirar-me a possibilidade de fazer o mesmo.

A coragem e consciência faltam a quem se retira do palco pelo medo de não conhecer a peça ou de se ver retratado. Ou melhor, ainda, de tanto conhecê-la eu não preciso estar próximo. Seria desconfortável medir esforços para ser quem eu tanto sou e escondo, pois o invejo no meu mais recôndito e profundo íntimo, pelos desprendimentos de uma sociedade onde a corrupção e o feio estão no outro e nunca em mim mesmo.

Assumir minhas fragilidades é estar me colocando no papel do discriminado, do qual eu rejeitei. Assim é melhor calar para não perder o papel mascarado do bonzinho, do comportamento imaculado, da elegância e de todos os outros adjetivos que já se habituou em ser e esconder as próprias mazelas. Melhor então é gritar com altivez minha nobreza de espírito, de comportamento. Colocar-me no pedestal e escarnecer aos que posso ferir sem medir palavras. Posso tratar a vida dos outros como penas jogadas ao vento. Como fazer para recolhê-las depois? Nada a fazer. Pois não há consciência ao fazer por que a teria em submeter-se ao constrangimento de recolhê-las?

Kátia Teixeira

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