Se meus dias não existissem,
Se minha alma não mais lhe pedisse
E meus olhos de repente se abrissem
Minhas lágrimas iriam rolar, eu sei...
Pois, em você mil amores eu dei
Em você mil eternidades se encontraram
Minhas manhãs são efêmeras e tristes,
Minhas tardes são os infinitos quentes
Das noites que sofro sempre ausente.
O tempo se vai, as horas correm
Os instantes, os dias que se foram
Os meses, os anos que passaram
Você ainda é permanente
Como um ar puro que respiro
Em meus loucos suspiros
De uma insanidade santa
Sacrifico a vida em veias
Que as corto qual teias
De uma aranha que me tece
Aquece meu ser sem saber
O que sou? Aonde vou?
O que fazer sem ter você!
Embaralho minhas teias
Em meio às texturas alheias
Vislumbro, entranho-me
Rasgo meu ser em buscar
O amor em pleno ar
E respiro, e me afogo
Então me rasgo e fico a buscar!
Não há mais nenhum lugar...
Estou presa as minhas teias
Qual inseto a debater-se
E se então, nada a fazer!
Recolho-me aos meus olhos
E no fundo do cristalino
Atalho a imagem na retina
Presa em meus olhos os seus
E um amor infinitamente
Sem destino, pontes,
Apenas desatinos!
Kátia Teixeira.
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