Seja bem vindo

Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

sábado, 23 de outubro de 2010

Em você mil amores

Se meus dias não existissem,

Se minha alma não mais lhe pedisse

E meus olhos de repente se abrissem

Minhas lágrimas iriam rolar, eu sei...

Pois, em você mil amores eu dei

Em você mil eternidades se encontraram

Minhas manhãs são efêmeras e tristes,

Minhas tardes são os infinitos quentes

Das noites que sofro sempre ausente.

O tempo se vai, as horas correm

Os instantes, os dias que se foram

Os meses, os anos que passaram

Você ainda é permanente

Como um ar puro que respiro

Em meus loucos suspiros

De uma insanidade santa

Sacrifico a vida em veias

Que as corto qual teias

De uma aranha que me tece

Aquece meu ser sem saber

O que sou? Aonde vou?

O que fazer sem ter você!

Embaralho minhas teias

Em meio às texturas alheias

Vislumbro, entranho-me

Rasgo meu ser em buscar

O amor em pleno ar

E respiro, e me afogo

Então me rasgo e fico a buscar!

Não há mais nenhum lugar...

Estou presa as minhas teias

Qual inseto a debater-se

E se então, nada a fazer!

Recolho-me aos meus olhos

E no fundo do cristalino

Atalho a imagem na retina

Presa em meus olhos os seus

E um amor infinitamente

Sem destino, pontes,

Apenas desatinos!

Kátia Teixeira.

domingo, 17 de outubro de 2010

ENTRE ERROS E ACERTOS!

A vida é feita de sucessos e fracassos!

Nunca fomos avisados que todos que alcançaram o sucesso precisaram superar sucessivamente as derrotas. Aprenderam a lidar com perdas que pareciam insuportáveis. Possibilitaram o não quando de fato a negação era a mais acertada resposta; disseram poucas vezes um sim, mas quando o fizeram, sabiam o quanto representavam a liberdade de ser o que de fato é, e, fazer as escolhas sabendo das restrições e possibilidades.

A vida é assim, sem receios idiotas de sermos apenas as expectativas dos outros. Ser o seu íntimo relutante em enfrentar os medos, as hipocrisias é o grande passo de desmascarar a inquietação de pertencer a algum grupo, a alguém ou apenas ser o ditame do momento: seria uma Maria-vai-com-as-outras !

E nossa vontade mais íntima onde estaria? No desejo de representar uma personagem sempre viável aos outros? Quando satisfazemos os outros estamos nos satisfazendo também? Ou, quando estamos plenamente realizados, somos capazes de transformar o universo ao nosso redor e fazer do nosso círculo uma entidade simples e benéfica, alegre e verdejante! Nesse instante, não apenas nosso jardim é possível florir, mas semear os jardins alhures de sementes belas e, talvez, frutíferas.

Querer o sim que acorrenta aos mais bobos e duvidosos sentimentos é humano, e, gostamos até de nos fazermos de refém; de nos sentirmos cegos por mera conveniência. Mas dizer sim ao amor que tanto a alma necessita, acorrentando todos nossos anseios e expectativas inerentes ao amor, são de fato uma necessidade estrutural ou social de satisfazer ao outro? Estar próximo ao outro, sentir a parceria, a reciprocidade e se expor a vicissitudes de sofrer ou tirar o grande prêmio de sermos vitoriosos e ganhar o amor desejado é expor-se a vida! Então, vivamos, entreguemo-nos a vida como quem se joga ao lago para banhar-se...

Viver é correr riscos de encontrar na esquina o inimigo que jamais soubera existir. É conviver com o mais íntimo ser humano e saber ser este o maior de todos os nossos inimigos. Às vezes com palavras brandas e voz doce, faz-nos acreditar que podemos transformá-los pelas nossas convicções. Mas com esses amigos serpente, inimigo visível, devemos sempre exercitar a temperança em momentos de extremo desafio, embora a vontade fosse ser rude e, replicar a altura do que ouviu. Mas o feito entre o fazer, é subliminar. O gesto que ainda está por vir, pode ser o mesmo que nos arrependemos de tê-lo praticado. O instante entre um e outro. O exato momento entre o erro e o acerto são cifras de segundos que podem nunca mais haver possibilidade de retorno.

Faz um bem enorme saber que fomos feridos mortalmente em apenas algumas palavras discrepantes do nosso imaginário, pois somos vítimas e todos gostam sadicamente de serem vítimas. Faz um mal muito maior sermos os apedreja dores, remoermos gestos e atitudes irrevogáveis, pois já pertencem ao passado e, não estamos mais no controle da situação, mas dependemos da honraria ou apedrejamento do outro.

E, depender do outro para sermos felizes é burrice! Mas, parece que o momento social carece de uma burrice científica. Faz lembrar-me de Ruy Barbosa: "Há tantos burros mandando/ Em homens de inteligência/ Que às vezes fico pensando / Que a burrice é uma Ciência”. Precisamos acreditar em nosso potencial, em nossas verdades interiores e principalmente ouvir a voz que insiste em nos dizer não siga por esse caminho! Não percorra esse roteiro!

É interessante, o quanto nossa alma nos diz e não cremos. E vivenciamos os anseios cegos de nossa vontade. Prosseguimos por caminhos que nosso coração insiste em dizer que irá nos fazer sofrer! Mas, então não devemos nos permitir arriscar? O maior erro humano não é errar e sofrer seus erros, mas é o infinito medo de errar. Somos passíveis ao erro e, ele é essencial ao crescimento espiritual e tão restritamente humano.

A perda é sempre parte constante do ganho! É neste mérito que aprendemos, a saber, valorizar o hoje, o agora, o presente que Deus nos permite: o instante! Esse ponteiro que urge ligeiramente neste prospecto do tempo, ao qual nos habituamos a chamar relógio. É neste instante entre o exato momento em que falo ou calo; entre um gesto parcimonioso e irascível; entre uma atitude ou outra; entre um não ou um sim... Neste momento, surge a imperceptível condição do erro e do acerto. Mas o que é errar e acertar? É estar entre o convencional social ou contra ele! Entre nosso âmago e o desejo de espelhar o desejo dos outros. O medo pode nos fazer reféns infinitos de um desejo que poderia ser realizável! Pode nos permitir vivenciar os amores, a vida como um experimento de sensações e gostos. Pode também nos trazer obstáculos que irão permear nosso íntimo em sofrimentos e desgostos. Mas, como viver sem experenciar? É de certa forma não viver.

Precisamos entender nosso coração, nossa necessidade de palavras e de silêncios! Cada um em seu próprio tempo. E todos tão inerentes às relações humanas. Silêncio e palavras se complementam. São opostos que se nutrem como em relações de ganhos e perdas, de preenchimentos e vazios, de ressonância e surdez absoluta, entre um pólo e outro. Mas, inexoravelmente é necessário a vida. Esta é a única forma de viver e não apenas existir!

Assim, possamos ser nós mesmos em discrepância com a imaginação do outro ao nosso respeito, em consonância com a nossa alma, nossas verdades interiores, com nosso desejo mais profundo. Somente desta forma podemos entre unanimidades burras e disparidades relevantes sermos nós mesmos!

Possibilitaremos vivenciarmos em cada estação do nosso ciclo o esperado ou o temido. Então, esperemos o que nos é permitido, mas entendamos o que nos possa surpreender, sem permitir barrar a vida que se faz a cada instante em promulgarmos nossa vontade em direção ao nosso bem maior. Nossa felicidade é promulgar a felicidade do outro. Somos como uma pedra jogada em meio ao lago sereno formando ondulações. Somos essas ondas que espraiam sobre todo o lago a felicidade. Então, sejamos felizes e conseqüentemente, faremos os outros felizes.

Kátia Teixeira.

domingo, 10 de outubro de 2010

IGNÓBIL

Quem és tu?

Mente podre que arma,

Qual caçador engana a presa

Que no teu laço

Se debate e se deixa laçar...

Tão vil combate,

Arquitetas estratégias

Repleta de podridão fétidas,

Intentas e ruminas

Na mente assassina,

o espetáculo do abate.

Como asno que rumina

O próprio vômito combina,

E vomita

E torna ainda,

Outra vez

A despojar-te

No vômito que

acabara de alimentar-se.

Ganhas tempo como em folguedos

Passa horas entre debater e aquietar-se,

Na fétida sujeira

Da alma que enlameia,

Nos esgotos sórdidos da surdina

Ao qual tão bem combina

A sordidez e o beijo de latrina

Que em tua boca

Soçobre e aniquila.

Quem és tu?

Podre féretro que entre gente vagueia,

De vil escárnio tão doce alardeia

A sujeira quase que cristalina

Que a todos engana e se encandeia,

Qual teia para prender o alvo

Termina presa ao próprio espetáculo

De tão podre, tão vil, tão asno.

Quem és tu?

Mísera semelhança do humano

Que em igual condição nos irmana,

A ti somos presos por vil engano:

És chaga, serpente desumana

Que dilacera almas, horripilante.

Surrupia com calma e desfaçatez,

Envenena as doces mentes insanas.

Ainda se diz humano?

Quem és tu?

Figura em que te assemelhas?

Se estraçalha e lambe,

Se mordes e abana,

Se ao matar se diz vencedor,

Se ao ver o morto rir-se

De se mesmo é enganador

Pobre humano que em ti se espelha!

Vilipêndio d’alma que escarnece,

A podridão que de ti espalha:

Fétida, podre, visco asqueroso!

Podes ser humanos o que refletes?

Lampejos de satã

Em forma doce e sã,

Que a todos engana

No contar da tuas teias

Que corre fel em vez de sangue

Em tuas veias!

Serás humano o teu espelho?

Narciso em ti se incendeia!

Kátia Teixeira

Ledo engano

Hoje procurei dentro de mim, o menor resquício de um alguém que já teve vida, viveu, sorriu e pensava ser feliz. Pesquisei dentro de tantos caminhos algo, qualquer percurso que pudesse me levar a este retrocesso e reviver o entusiasmo de ser eu. Com todos os percalços, com todos os entraves, mas a alegria de sentir na pele o quanto era importante viver. Busquei lembranças que haviam sido apagadas pelo tempo hibernado em introspecção, em labutas, no cotidiano que nos transfere valores que antes pareciam tão nossos, tão rotineiros e passamos a conviver com outras atitudes, com outras formas de vida.

A princípio fazemos por desejar que a realidade interior seja tamanha que transforme a realidade exterior. Aos poucos, vamos percebendo que atitudes factuais e revolucionárias há de se ter conjunto; violinos, pianos e saxofones que tocam sozinhos não formam a ópera. Faz-se muito mais para que nossos pequenos gestos, atitudes em prol do que o outro espera de nós, de fato, se transformem em realidade circundante e em nossa própria crença do que queremos e optamos para nós mesmos.

Se já se mencionava que a paixão é cega, hoje aceito o fato de que essa cegueira é convencional e tem suas próprias razões. Talvez as mais inconcebíveis possíveis, mas o humano utiliza de meandros apaixonantes, sorrateiros e deslizantes para dissimuladamente alçar seu objetivo. Pensa ser seu objetivo no instante em que o imprescindível é realizar seu desejo mais íntimo. Mas, esquece que as pessoas, tudo a nossa volta muda a todo instante. E quando se depara com o mérito alcançado, descobre que todas as renúncias que fizera todos os atos, bons ou indignos, não justificam ao resultado obtido.

A vida não espera que a flecha volte e seja outra vez lançada, não espera que partamos do princípio e voltemos ao zero, oportunizando a reconstruir, recomeçar o que longinquamente nossas opções e escolhas fizeram de nós mesmos. O tempo, este arcabouço convencional que se apodera desde nosso amanhecer e dita às regras da vida, o espaço que precisamos para romper barreiras, para imprimir nossa marca. Este mesmo volta a cobrar-nos o atual, pois nada podemos com o que já fora. Impotente diante do ontem, qual pássaro aninhando-se em seu profundo escudo, no aconchego do seu covil, ardileza para no futuro obter a conquista de um desejo dos mais antigos do humano: ser feliz!

Qual nada, o caminho perdido por nós mesmo há de se ter retorno, o que deixamos se perder em manobras para conquistar os outros não há como retroceder. Somos vítimas da arapuca que pensávamos encontrar a felicidade. Buscávamos no outro o que desenhamos em nosso mais puro íntimo. Era tão verdadeira a imagem criada que nos era real. Mas era apenas uma obsessão de uma imagem de quem de fato acreditávamos ser nossa criatura. Mas não éramos criadores! Apenas Narcisos que se enganaram com a imagem criada. E nos afogamos no amor que pensávamos construir. E continuamos seguir os passos primeiros por pensar lograr o êxito. E persistimos desculpando a nós mesmo todas as derrocadas por medo de admitir o erro. O erro de não ver o que devera ter visto. Iludidos, ignorantes do amor, nos entregamos sempre arriscando à reputação, a vida, a alma, a vontade de viver e continuar a lutar para ser feliz.

Mas se um dia após o outro ainda está sendo subsequente é razão plausível e justificável de que permanecemos humanos e acreditando que o amor em sua própria intransitividade, existe. Se existiu algum dia, se um dia foi crédito para nossas ações, há de uma vez mais existir. Há de uma vez mais promulgar sua forma mais honrosa, sua maior dignidade em sua mais alta magnitude e simplicidade, qual ao lago que brandamente espera o cisne adentrá-lo e em sua majestosa postura delinear suas águas, tão placidamente qual um príncipe sem alarde nem exibição de luxo. Apenas porque o amor não é luxo! É necessário à vida! Mas carece da serenidade de um lago para poder arremessar o galope quando este for preciso à quebra da rotina.

Kátia Teixeira

ANTAGONISMO



Assim que minha morte sobrevir,

não espere me encontrar em você.

Nada deixei de presente!

A não ser meu eu mais íntimo,

a dor presente e dilacerante,

a ausência profunda, torturante

Eis a vida, eis meu eu, eis a mim!

Aqui chegaste!

Então não me procures mais,

pois já me encontrastes....

Sou um caminhante sem ermo

que divaga em seus próprios erros

e em nenhum se acha,

pois eles são ideologias sociais.

Dissimula a dor num sorriso amarelo,

destrói a piedade capciosa,

semeia a dúvida.

Alterna entre o máximo do SER

ao mais alto do condoreiro,

e o odor lamaceiro.

Piedade não é para ter!

Não estou aqui para admitir,

fui e estou para contradição.

Sou o asno dos piegas,

sou o antagônico do sentimental

o antônimo do amor fatal.

Hoje sou uma,

amanhã, procures-me

na flor orvalhada

que a aurora fez surgir!

No adeus dos amantes

Que o acenar os comoveu...

No olhar de desprezo

Que ousou me eliminar.

Sou o nada do tudo que esperavas,

ainda assim estarei intacta:

na mais simples flor,

singela palavra,

gesto dantesco,

na irreverência d’uma época,

no sorriso mascarado,

no beijo apaixonado,

na quietude sombria,

no desejo inatingível,

na máscara do dia-a-dia

de tudo estar sempre bem.

Tudo bem,

sempre bem..

Kátia Teixeira

DISCRIMINO O QUE VEJO COMO UM CONCORRENTE DO QUE QUISERA SER, MAS MEDRO.


Dispo-me de conceitos que pensara possuí-los e deparo-me com conceitos que nem sequer ousara os haver pensado. A vida vai dia a dia aos poucos pondo-nos em um lugar que se distancia de todos. Talvez sejamos nós que distanciamo-nos por não fazer parte da forma consistente de buscar e encontrar noutros subterfúgios, ilegalidades sociais cometidas com sutileza. Sempre é válida a piadinha que ninguém sorrir, ainda assim, fora dita com o intuito de se agrupar, de pertencer a legiões que determinam que sejamos felizes, alegres e transmitamos uma luz esplendorosa.

Nunca percebemos e respeitamos a maneira de ser do outro. Que seriam dos artistas, dos comediantes se todos fossem como eles? Não haveria platéia. Ainda nos habituamos a cobrar do outro o que não sabemos como nos comportaríamos em determinada situação, ainda que de pronto possamos dizer: “ “jamais agiria assim”! Estas respostas prontas são o eterno paradigma em que se colocam os “bonzinhos” e os “bandidos”. E como todo mundo se diz ser bonzinho, esta é uma resposta pronta e acabada. Quando no escuro de sua própria vida maculara várias vezes, em formas distintas esse ideal de ética.

Ao negarmos nosso afeto, negligenciarmos uma pessoa, discriminá-la e até rejeitá-la com a base do “diz-que-me-disse” não somos capazes de nos isentar destes preconceitos que em nada há de comprovado, apenas o boca a boca, a mais perfeita unanimidade burra da qual já nos falava Nelson Rodrigues. São estes que sempre preferem usar a fofoca mal intencionada, nada mais faz que brotar uma flor de lama na cabeça de tantos que não sabem se livrar nem das mais belas flores, quiçá saber discernir entre o que é e o ser que representa. E a verdade da fofoca passa a ser absoluta. Como se houvessem verdades absolutas. Mais uma técnica de adquirir confiança no grupo e os arrastarem ao que acreditam ser o magistral púlpito da ética, dos bons procedimentos, da educação e do “ser bonzinho”!

Mas, ser apedrejado sem direito a defesa é uma ação terrorista e por que não dizer sádica. Satisfaz ao ego perceber que todos compactuam do meu comportamento, de minha verdade, verdade essa escondida e camuflada para que de fato não percebam quem de fato é o atirador de pedras. Além de demonstar uma inveja de ver o outro tão dono de si, de sua própria vida e seguir sozinho fazendo seu caminho entre todos esses massacres, mas seguindo. O covarde se esconde em nada assumir, nem mesmo a fofoca descabida.

Ninguém que oportuniza conhecer o outro e se afogar neste outro, sem alertá-lo, persuadi-lo e ainda assim continuar em busca deste amigo perfeito, jamais pode ser chamado de amigo, colega ou algo assim. Ao contrário é o próprio disfarce da hipocrisia em que se sustenta. A pressa cotidiana, a maledicência humana nos distancia dos parâmetros humanos. É mais fácil atirar pedras que flores. E, se assim fosse feito, seria mais digno e honesto. Ao menos não ficaria no sublimar de descartar alguém de seu reduto apenas por não pertencer aos mesmos dogmas, à mesma tribo e todos saberem que a tribo dribla a ética da perfeição, sutilmente usa as máscaras de serem honestos, acima do bem e do mal, principalmente quando a conversa passa pelo campo subjetivo de nada comprovar e apenas alardear o que se supõe sobre alguém.A forma mais vergonhosa de não ter poder de dizer frente ao outro o que e porque estou lhe excluindo de minha vida e fiz meu grupo crer no que digo. Mas, simples, a gentileza hipócrita é mais subjetiva e não coloca ninguém no corpo a corpo. Minha verdade vira absoluta aos que a ouvem e seguem sem perceber que uma flor de lótus morre na lama. Mas se dizem elevados culturalmente, tecnicamente e espiritualmente apenas para enganar a maioria dizendo-se ter uma religião mascaro quem sou por pertencer a ela, Mera ilusão. A religião não é responsável pela nossa mesquinhez humana, apenas aplaca nossa culpa por nossa perversão em relação ao outro.

Esses mesmos, que com tamanha facilidade apontam, julgam e discriminam claramente o outro, são expurgos de tantos outros. Uma vez, quando passo a rejeitá-los de certa forma abomino algo que o outro tem e desejoso de também ser da mesma maneira é mais perspicaz expugnar. Assim, manter-se distante do rejeitado, aquele concorrente do meu eu que tento tanto esconder é uma questão de concorrência desleal e desumana. Pois, nega ao outro a oportunidade de defesa. Arde-se em inveja por aquele além de fazer claramente o que ensejo às escondidas, ainda é uma representação clara do perigo em retirar-me a possibilidade de fazer o mesmo.

A coragem e consciência faltam a quem se retira do palco pelo medo de não conhecer a peça ou de se ver retratado. Ou melhor, ainda, de tanto conhecê-la eu não preciso estar próximo. Seria desconfortável medir esforços para ser quem eu tanto sou e escondo, pois o invejo no meu mais recôndito e profundo íntimo, pelos desprendimentos de uma sociedade onde a corrupção e o feio estão no outro e nunca em mim mesmo.

Assumir minhas fragilidades é estar me colocando no papel do discriminado, do qual eu rejeitei. Assim é melhor calar para não perder o papel mascarado do bonzinho, do comportamento imaculado, da elegância e de todos os outros adjetivos que já se habituou em ser e esconder as próprias mazelas. Melhor então é gritar com altivez minha nobreza de espírito, de comportamento. Colocar-me no pedestal e escarnecer aos que posso ferir sem medir palavras. Posso tratar a vida dos outros como penas jogadas ao vento. Como fazer para recolhê-las depois? Nada a fazer. Pois não há consciência ao fazer por que a teria em submeter-se ao constrangimento de recolhê-las?

Kátia Teixeira