Seja bem vindo

Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

sábado, 11 de agosto de 2012

ROTINA


Quantas vezes pensei que para estar feliz precisaria de um lugar alegre, cheio de gente, repleto de sons, de sorrisos, vozes, dança, festa e todo arcabouço de um ideal de felicidade que de tanto acreditar nesta imagem, perfazemos uma busca inútil. Perseguindo esta quimera vamos vivendo cada dia sem noção do ontem que passou, do hoje que não vivemos e do amanhã que poderá não existir. A vida qual água, escorregadia se esvai de nossas mãos. E vamos permitindo sua ida em busca de um amanhã irreal. Esquecemos-nos de valorizar o dia simples e rotineiro. Ah! A rotina parece cansativa, destrutiva, mas de qual lente observamo-la assim? Talvez da lente de um sonho distante de ser realizado, pela simples questão de não ser possível, provável. Esquecemos-nos de observar nossa rotina como o lugar seguro dos nossos dias, da sensação de já saber o acontecimento, a ordem de cada coisa, de cada afazer, de todo dia e ele é tão necessário que ao nos separarmos desta rotina absolutamente sem imprimi-la no dia a dia, sentimo-nos perdidos de nós mesmos. Não podemos permitir a dose diária de uma rotina nos massacrando, mas devemos perceber o quão tranqüilizante é o costumeiro ao nosso redor, ele é tão importante qual um mapa em orientar o lugar certo, a coisa certa,  no momento exato. Em toda circunstância havemos de ser sempre o que imprime a regra e não permitir que as ordens nos tornem escravos, mas é preciso olhar cada coisa ao nosso redor, com olhar novo, com surpresa. Nosso olhar se habitua ao de sempre e permitimos não nos deleitar com a simplicidade, com o habitual. É sempre preciso inovar o olhar, arriscar usar as lentes da realidade em olhos surpresos pelo “o de sempre”,e fazer deste sempre, algo inconstante e novo e se surpreender pelo costumeiro com novos ares. (...)

Eterna Flor

Ah! Dai-me a inspiração
pequena luz que vela
das entranhas me revela
a cadência, a rima, a emoção.

Vem correndo a meus braços
bela alvissareira do Lacio
rima as rimas do Pessoa,
canta Caetano “numa boa”.

Abre a galhardia, o estardalhaço.
Vens! Ruminas e intentas,
outros  falares reinventas
mas trazes o Rosa no regaço.

Qual ourives ao trabalho
um pouco de Bilac entalho
risco, rabisco e rechaço
pra encontrar-lhe em Machado

Mas, vens em salada mista
com Espanca, Meireles e Lispector
desdobra teu manto intimista
esparrama, minha língua, eterna flor!

Kátia Teixeira

A loucura é minha, a covardia é tua

Não me condenes por apenas amar-te
Volvo a volúpia de em ti estar
Danço  nas nuvens de um amor sombrio
Distinto e exultante em exalar dores e frio

Devolvo-te todos os beijos indesejados
Rasgo minha alma e retiro tua imagem
Se (de mim) queres o degredo do amor doado
Arrefeço-me e, sutil, entendo seres covarde

Quero amor e o desejo noite e dia
Minhas entranhas gritam em desejo e rebeldia
Tu partes sempre com promesas indevidas
Dizes fazer, promete sem ter, é sem saber ser

A incerteza, mão unida à covardia
Não teme a noite escura, nem o dia uivante
Deixo adentrar-me a luz fria e cristalina
Empunho a tocha, ergo a fronte e sigo...

Não busco sem ter a verdade como luz
Não volto de lugar aonde nunca fui
Se tua avareza, mesquinhez é superlativa
O sonho é meu, a loucura é minha e(afora tudo) é diminuta!

Kátia  Teixeira

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Juventude na alma










        Minha juventude está na alma, está contida dentro do meu coração, não nos anos que acumulo. Contemplo o novo e permito janelas abertas para a luminosidade, para as flores que brotam, para o sol que brilha, para a aurora de alegria que irradia as manhãs, ou a escuridão que entristece a noite. Tudo sem medida... que eu queira expor-me demais ao sol ou isolar-me demais na escuridão, pois minha medida está na força de saber viver e encontrar o encanto.

Às vezes tanto, outras tão pouco. Mas oposição são minhas metades! O antagonismo ronda minha alma. Meu espírito é questionador. Não estou na vida fazendo números, eu sou um número. Não permito ser igual ao que esperam de mim, eu sou eu na medida em que me conheço e me desconheço. Sou um começo em eterno recomeço. Encontro-me tanto e me perco muito mais, pois em cada encontro dei de cara com a partida e em cada partida a força  inquietante de um novo começo. Traço cada esquina como a mais conhecida e via comum, refaço cada vez a mesma esquina e a observo em olhar anguloso e de nova forma e estranheza. Pois, estranho são minhas fragilidades pequenas e minhas coragens absurdas. Pois estranho é aceitação, simples e silenciosa. Estranho é alguém de idade tão jovem e de idéias tão arcaicas. Estranho é um pacto silencioso de subserviência em meio a tanta força possível de emanar de si mesmo. Não silencio tanto, minha medida é desmedida. Cada gesto por mais que pareça cauteloso é um supetão. Não sou estratégica, não armo, não dissimulo, pois a força da minha autenticidade está em não fazer silêncio quando preciso gritar. E se grito, assumo meu grito, em expansão de maiores gritos, pois sei a força que se excede em mim e sutilmente vive em um silêncio nada silencioso. Em um estático relutante. Tomo as minhas rédeas, pois não gosto de ser guiada. Costumo chegar onde quero, por meus próprios caminhos.                                                                        E mesmo quando o buraco que cavei é muito profundo, debato-me com maior força e de lá saio, mais fortalecida. Pois, cada estação tem o gosto de ser experimentada com a força de uma mente sempre aberta ao novo! 
A verdadeira potencialidade da juventude está em sempre reaprender a ser feliz!




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Despedida


Vou-me de braços abertos
De pés descalços, peito ao vento:
Despida de amarguras e,
Com a nudez ferida
Pelas sórdidas vestes moralinas,
Abusada pelos falsos puristas

Vou-me no silêncio extasiante
Das palavras que se afundaram,
Nas sombras negras da solidão
Sem ousar ser o que deveras ser,
Imune da loucura necessária,
Do riso, do pranto, da paixão.

Vou-me ouvindo sua voz latejante,
Breve, recalcada de pedidos de perdão,
Ombros pesados, soberbos de dores
Ilusão negada, alegria permissiva;
Sigo a solidão dos eus indecisos
E os descaminhos em mim se perderam.

Vou-me, nem tanto feliz, nem saudosa,
Apenas pelo compromisso de ir-me.
A vida rega a flor; esconde a rosa!
Uma é só maciez, brilho e cor;
A outra: espinho, sangue e dor;
Duas imbatíveis realidades: vida e morte!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quisera acreditar no amor que transforma o homem!



Quero perder-me no céu da ilusão de acreditar sempre no homem. Mesmo diante de tantas atrocidades, tantos falsos paradigmas, falcatruas, dissimulações. Imaginar a lisura das atitudes que por ventura ainda possam existir em raros exemplares desta raça.
Não no rosto sisudo; disfarce da prepotência sobre a desfaçatez!
Quero ainda crer na verdadeira educação. Não a castradora, a negativista, a derrotista, mas na libertadora. Na sincera gentileza, na simplicidade de gestos retóricos de cavalheiros que enviam flores, compartilham a vida, ouvem-nos com brandura e faz-nos sorrir quando tudo parece chorar... Não posso crer naqueles que se sentem envaidecidos por carregarem um sobrenome que nada fizeram para tê-lo, mas alardeiam-no com arrogância e orgulho de pertencerem a tal linhagem.
Quero crer naqueles que principiam e escolhem seus verdadeiros caminhos, percursos estes, que os levarão ao sucesso e consequentemente ao reconhecimento por todos do que de fato são e não do quanto têm.
Quero crer na solidariedade sem causa premente. No doar-se e entregar-se por amor. Mas não apenas o amor conjugal, mas o amor fraterno. É nesta entrega em que o verbo condiciona-se ao estado de intransitivo permanente. Amar, apenas amar...
Pois é no amor que se reconhece a si próprio, como um entre milhares: iguais; ou o singular aflorado na diferença: abstração contra a corrente.
Na guerra é muito fácil reconhecer os inimigos; mas, é na vida cotidiana, nos entraves, nos grandes obstáculos que reconhecemos as mãos estendidas a nos presentear com poucas ou grandes palavras. Às vezes, apenas o silêncio de entender e aceitar as grandes diferenças e imperfeições dos nossos semelhantes (amigos), porém, ainda assim, permanecem ali sempre como uma divindade a postos. Pois, somente no amor nos reconhecemos e compreendemos o mundo.
Só existe o amor quando se sabe morrer a si próprio, quando se sabe perder o egocentrismo e doar sem medos. Não se pode amar, sem amar a si mesmo. E esta talvez seja a mais encantadora aventura, quiçá o único prazer que pode durar eternamente.
Se amar é morrer a si próprio; o medo é intrínseco ao amor. É o mesmo medo que uma semente sente ao ser lançada ao solo para morrer. É a morte para o renascimento de outra vida...
Quisera poder encontrar uma humanidade desmedida em seu amor. Que se desacorrentasse dos seus medos e se libertasse de suas balanças.
O amor precisa ser desmedido!

Kátia Teixeira

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Letra morta

Deito a letra morta de significados. Apenas paredes brancas e vazias. Um olhar rápido me sugere que algo se movimenta desejoso de apresentação. O silêncio é mais que profundo e nada. Nada mesmo.O branco parece ausência infinita e dolorosa. A ausência da palavra que não deseja dizer. Fica a morbidez de um instante mais alucinado que razoável. Segue os olhares em busca de nitidez. Não. Exatamente não. Procura lucidez. Isso. Há tanta confusão nas ausências que as palavras se fazem; fica tudo tão meramente sem sentido, sem realidade. E procuro-as enquanto fico a contar cada milímetro de parede. Elas parecem esconder o segredo da folha de papel em branco e as palavras cutucando o cérebro em êxtase. Faz necessário que demonstre esta indefinida precisão de falar e não ser loucura. Dito e não dito. Falo e não digo. Calo e não silencio. Que é de fazer? Libertar as palavras? Mas, não as prendi em lugar algum. Qual o sentido delas se apressarem e se esconderem? Não descobri. Detalhe de ao olhar o teto e agora... faz uns quadros em branco sinalizando ser a cobertura de minha cabeça aérea. Absorta em mim mesma; em um eu que não está pronto nunca; em desmedir o inatingível; em remoer o desmerecimento de ser-me. E onde eu fui? Não saí daquele cubículo quadrado ao qual denomino de meu quarto. Talvez por isso o chame assim. Quarto. Por ter um quarto do tamanho ideal para meu eu vislumbrar um belo desconhecido. Neste percentual vejo o pouco do que sou; percebo a pequenez de não ter sequer um verde a adentrar meus pensamentos inexatos e cinzas. Cinzas. Cimento, muito cimento. Paredes incompletas de quietude de realizar. Mas o quê? Parece que realizações transformam os homens. Nada realizei. Tudo ainda está por vir. Quando? Talvez eu não esteja mais presa neste quarto branco, para contar paredes mortas, brancas como folhas de papel em branco. Branco? Ausentes de uma realidade minha, tão minha. Onde fui? Se daqui nunca saí! Minha alma exauriu a cada suspiro de palavras cortantes. Navalhas afiadas rasgam minhas carnes frágeis. Mergulham em meu ser com mais veemência e vontade de ir mais e mais. Suicídio? Não. Ele sempre fora pronto. Nunca estive neste patamar de intrepidez ou fraqueza. A vida me nega coragem e covardia. Sou do meio. Fico sempre no meio. Não estremeço as paredes que construí e fiquei presa. Elas me detêm. Contida em meio ao turbilhão de emoções(...) eu só. Só,(...) construo minha solidão. Solidão de palavras, de gestos, de pessoas, de vida.(...)

Kátia Teixeira

11.05.2011