Vou-me de braços abertos
De pés descalços, peito ao vento:
Despida de amarguras e,
Com a nudez ferida
Pelas sórdidas vestes moralinas,
Abusada pelos falsos puristas
Vou-me no silêncio extasiante
Das palavras que se afundaram,
Nas sombras negras da solidão
Sem ousar ser o que deveras ser,
Imune da loucura necessária,
Do riso, do pranto, da paixão.
Vou-me ouvindo sua voz latejante,
Breve, recalcada de pedidos de perdão,
Ombros pesados, soberbos de dores
Ilusão negada, alegria permissiva;
Sigo a solidão dos eus indecisos
E os descaminhos em mim se perderam.
Vou-me, nem tanto feliz, nem saudosa,
Apenas pelo compromisso de ir-me.
A vida rega a flor; esconde a rosa!
Uma é só maciez, brilho e cor;
A outra: espinho, sangue e dor;
Duas imbatíveis realidades: vida e morte!
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