Quantas vezes pensei que para estar feliz precisaria de um
lugar alegre, cheio de gente, repleto de sons, de sorrisos, vozes, dança, festa
e todo arcabouço de um ideal de felicidade que de tanto acreditar nesta imagem,
perfazemos uma busca inútil. Perseguindo esta quimera vamos vivendo cada dia sem
noção do ontem que passou, do hoje que não vivemos e do amanhã que poderá não
existir. A vida qual água, escorregadia se esvai de nossas mãos. E vamos
permitindo sua ida em busca de um amanhã irreal. Esquecemos-nos de valorizar o
dia simples e rotineiro. Ah! A rotina parece cansativa, destrutiva, mas de qual
lente observamo-la assim? Talvez da lente de um sonho distante de ser
realizado, pela simples questão de não ser possível, provável. Esquecemos-nos
de observar nossa rotina como o lugar seguro dos nossos dias, da sensação de já
saber o acontecimento, a ordem de cada coisa, de cada afazer, de todo dia e ele
é tão necessário que ao nos separarmos desta rotina absolutamente sem
imprimi-la no dia a dia, sentimo-nos perdidos de nós mesmos. Não podemos
permitir a dose diária de uma rotina nos massacrando, mas devemos perceber o
quão tranqüilizante é o costumeiro ao nosso redor, ele é tão importante qual um
mapa em orientar o lugar certo, a coisa certa, no momento exato. Em toda circunstância
havemos de ser sempre o que imprime a regra e não permitir que as ordens nos tornem
escravos, mas é preciso olhar cada coisa ao nosso redor, com olhar novo, com
surpresa. Nosso olhar se habitua ao de sempre e permitimos não nos deleitar com
a simplicidade, com o habitual. É sempre preciso inovar o olhar, arriscar usar
as lentes da realidade em olhos surpresos pelo “o de sempre”,e fazer deste
sempre, algo inconstante e novo e se surpreender pelo costumeiro com novos
ares. (...)
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