Seja bem vindo

Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

terça-feira, 28 de agosto de 2012


     Incerteza
Será de garra feita a arte?
Todas as navalhas cortam a alma?
É apenas o intuito de ser mais bela,
Se nela bebo e velo a dor insípida
e como uma nova cria, lambo;
clamo e grito, mas me engano...
Meu coração apenas quer você!
E em minha alma tudo se permite
mas a vida aos poucos dissipa,
a nuvem recheada e densa
de sonhos, quimeras ilusões...
apenas tarda o pranto
desata  a corda. E os nós?
Eles apertam a certeza do amor
Que de mansinho vai embora
Fica a aorta a sangrar de medo;
rochedo impõe o bruto desígnio;
Vadio, esmaga o amor com dor
Parte a peça, não trata a ferida;
Suicida, espreita a porta de pedra
Abre e não medra, penetra e fere;
Machuca e corrói, aperta e concreta...
Petrificado, dolorido, em espinhos;
Pequenino sem destino, sai de cena;
Acena o adeus do desamor
Da semente que ainda não brotou
Morreu do tédio
Do silêncio, 
tudo tão lento
Assim, sem mel
De  inanição,
Sem teu
Sem meu
Sem eu
Sem nós...
Tão só
Ó...

terça-feira, 21 de agosto de 2012


Uma rotina, tanta saudade

Amanhecer com o café exalando,
as brumas de um orvalho colorido,
o ar fresco das madrugadas radiantes
uma mesa, o café, o leite e biscoitos finos
tudo tão simples, tão trivial, tão rítmico...
O bom dia, o beijo, o chamar para levantar;
sair para o trabalho, despedir-se...
a alegria de voltar e um almoço partilhar;
as conversas, o sorriso, a sesta abraçados...
Hora de retornar, o beijo o abraço, o jantar
a rotina tão desvalida, mas referencial
das mãos que se sustém ante a fragilidade
do abraço que protege das noites escuras...
Sorrir o seu sorriso descontrolado, banal
da imagem vista, a piada dita ou escutada;
do silêncio intrigante, da tez encrespada;
dividir o dia, as preocupações ou nada....
Estar em um só leito, em seu peito
sentir seu calor nas noites frias
beijar os seus beijos e em um só beijo unir
amar em um só esmo e em um só termo servir...


Kátia Teixeira

Idílio de amor

A primeira vez deste-me seu olhar
com tamanha força e desejo
que mesmo sem tocar em mim
senti o gosto dos seus beijos

Tudo então eram tentativas suas
de dar-me atenção, dar-me carinho
estreitar-me em abraços, sorrisos e gracejos
jantar a luz de velas e sabor de vinho

Dançávamos ao luar, corpos colados
embalados pelo ritmo do afago do amor
bailávamos em rodopios, fluíamos a passos largos
entre beijos, versos, prosa e fulgor

As mãos sempre juntas, entrelaçadas
os olhares em trocas se entendiam
e mesmo sem uma palavra dada
nossos corpos, nosso sorriso reluziam!

A natureza sorria e até chorava
borbulhava aragens ao luar extremo
enfeitiçados pelo gemer qual harpa
nosso amor entre beijos, abraços tão serenos...

E de olhares, cores e jasmins
cheiros, doces, sorrisos e abraços
valsávamos ao luar de prata e rosas carmim
adormecemos na dança e canto dos pássaros... 

sábado, 11 de agosto de 2012

POR UM TRIZ



Por um triz


Deixe-me aqui quieta e presa entre seus braços
de forma larga, branda e leve
e seus braços deve ter a dimensão do meu mundo
assim não me
Deixe-me aqui quieta e presa entre seus braços
de forma larga, branda e leve
e seus braços deve ter a dimensão do meu mundo
assim não me perco de mim e vou-me
pois sempre estamos indo, indo
quando a gaiola é pequena, morremos
cada dia um pouco, um pouco, um pouco
e de grão em grão nos fartamos de tanta prisão
e queremos liberdade,
mas liberdade em dupla é suicídio coletivo....
e por um triz o copo vazou,
o amor vazou,
e tudo vazou...
perco de mim e vou-me
pois sempre estamos indo, indo
quando a gaiola é pequena, morremos
cada dia um pouco, um pouco, um pouco
e de grão em grão nos fartamos de tanta prisão
e queremos liberdade,
mas liberdade em dupla é suicídio coletivo....
e por um triz o copo vazou,
o amor vazou,
e tudo vazou...
E por um triz
Não fui feliz


Estou com fome
Fome de vida,
De alegria,
De algo inusitado e sempre encantador.
Alguém que chegue e transborde o riso
Faça resplendor,
Seja acalanto e acalentador!
Fome de um futuro,
Saudades do que ainda não vivi
E nem sei definir!
Mas, deixe-me ir
Assim busco algo que não aprendi
Vago entre paredes inimagináveis
Entrego-me em um si,
Desintegro as moléculas existenciais,
Vou além do meu passo
E não medro
Apenas me entrego...
Desentoo de todos os musicais
Ouço a melodia do coração
Adentro ao mundo do possível
E amar não é meramente um som
É um hino que toca a dor da solidão!

ROTINA


Quantas vezes pensei que para estar feliz precisaria de um lugar alegre, cheio de gente, repleto de sons, de sorrisos, vozes, dança, festa e todo arcabouço de um ideal de felicidade que de tanto acreditar nesta imagem, perfazemos uma busca inútil. Perseguindo esta quimera vamos vivendo cada dia sem noção do ontem que passou, do hoje que não vivemos e do amanhã que poderá não existir. A vida qual água, escorregadia se esvai de nossas mãos. E vamos permitindo sua ida em busca de um amanhã irreal. Esquecemos-nos de valorizar o dia simples e rotineiro. Ah! A rotina parece cansativa, destrutiva, mas de qual lente observamo-la assim? Talvez da lente de um sonho distante de ser realizado, pela simples questão de não ser possível, provável. Esquecemos-nos de observar nossa rotina como o lugar seguro dos nossos dias, da sensação de já saber o acontecimento, a ordem de cada coisa, de cada afazer, de todo dia e ele é tão necessário que ao nos separarmos desta rotina absolutamente sem imprimi-la no dia a dia, sentimo-nos perdidos de nós mesmos. Não podemos permitir a dose diária de uma rotina nos massacrando, mas devemos perceber o quão tranqüilizante é o costumeiro ao nosso redor, ele é tão importante qual um mapa em orientar o lugar certo, a coisa certa,  no momento exato. Em toda circunstância havemos de ser sempre o que imprime a regra e não permitir que as ordens nos tornem escravos, mas é preciso olhar cada coisa ao nosso redor, com olhar novo, com surpresa. Nosso olhar se habitua ao de sempre e permitimos não nos deleitar com a simplicidade, com o habitual. É sempre preciso inovar o olhar, arriscar usar as lentes da realidade em olhos surpresos pelo “o de sempre”,e fazer deste sempre, algo inconstante e novo e se surpreender pelo costumeiro com novos ares. (...)

Eterna Flor

Ah! Dai-me a inspiração
pequena luz que vela
das entranhas me revela
a cadência, a rima, a emoção.

Vem correndo a meus braços
bela alvissareira do Lacio
rima as rimas do Pessoa,
canta Caetano “numa boa”.

Abre a galhardia, o estardalhaço.
Vens! Ruminas e intentas,
outros  falares reinventas
mas trazes o Rosa no regaço.

Qual ourives ao trabalho
um pouco de Bilac entalho
risco, rabisco e rechaço
pra encontrar-lhe em Machado

Mas, vens em salada mista
com Espanca, Meireles e Lispector
desdobra teu manto intimista
esparrama, minha língua, eterna flor!

Kátia Teixeira

A loucura é minha, a covardia é tua

Não me condenes por apenas amar-te
Volvo a volúpia de em ti estar
Danço  nas nuvens de um amor sombrio
Distinto e exultante em exalar dores e frio

Devolvo-te todos os beijos indesejados
Rasgo minha alma e retiro tua imagem
Se (de mim) queres o degredo do amor doado
Arrefeço-me e, sutil, entendo seres covarde

Quero amor e o desejo noite e dia
Minhas entranhas gritam em desejo e rebeldia
Tu partes sempre com promesas indevidas
Dizes fazer, promete sem ter, é sem saber ser

A incerteza, mão unida à covardia
Não teme a noite escura, nem o dia uivante
Deixo adentrar-me a luz fria e cristalina
Empunho a tocha, ergo a fronte e sigo...

Não busco sem ter a verdade como luz
Não volto de lugar aonde nunca fui
Se tua avareza, mesquinhez é superlativa
O sonho é meu, a loucura é minha e(afora tudo) é diminuta!

Kátia  Teixeira