Seja bem vindo

Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Juventude na alma










        Minha juventude está na alma, está contida dentro do meu coração, não nos anos que acumulo. Contemplo o novo e permito janelas abertas para a luminosidade, para as flores que brotam, para o sol que brilha, para a aurora de alegria que irradia as manhãs, ou a escuridão que entristece a noite. Tudo sem medida... que eu queira expor-me demais ao sol ou isolar-me demais na escuridão, pois minha medida está na força de saber viver e encontrar o encanto.

Às vezes tanto, outras tão pouco. Mas oposição são minhas metades! O antagonismo ronda minha alma. Meu espírito é questionador. Não estou na vida fazendo números, eu sou um número. Não permito ser igual ao que esperam de mim, eu sou eu na medida em que me conheço e me desconheço. Sou um começo em eterno recomeço. Encontro-me tanto e me perco muito mais, pois em cada encontro dei de cara com a partida e em cada partida a força  inquietante de um novo começo. Traço cada esquina como a mais conhecida e via comum, refaço cada vez a mesma esquina e a observo em olhar anguloso e de nova forma e estranheza. Pois, estranho são minhas fragilidades pequenas e minhas coragens absurdas. Pois estranho é aceitação, simples e silenciosa. Estranho é alguém de idade tão jovem e de idéias tão arcaicas. Estranho é um pacto silencioso de subserviência em meio a tanta força possível de emanar de si mesmo. Não silencio tanto, minha medida é desmedida. Cada gesto por mais que pareça cauteloso é um supetão. Não sou estratégica, não armo, não dissimulo, pois a força da minha autenticidade está em não fazer silêncio quando preciso gritar. E se grito, assumo meu grito, em expansão de maiores gritos, pois sei a força que se excede em mim e sutilmente vive em um silêncio nada silencioso. Em um estático relutante. Tomo as minhas rédeas, pois não gosto de ser guiada. Costumo chegar onde quero, por meus próprios caminhos.                                                                        E mesmo quando o buraco que cavei é muito profundo, debato-me com maior força e de lá saio, mais fortalecida. Pois, cada estação tem o gosto de ser experimentada com a força de uma mente sempre aberta ao novo! 
A verdadeira potencialidade da juventude está em sempre reaprender a ser feliz!




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Despedida


Vou-me de braços abertos
De pés descalços, peito ao vento:
Despida de amarguras e,
Com a nudez ferida
Pelas sórdidas vestes moralinas,
Abusada pelos falsos puristas

Vou-me no silêncio extasiante
Das palavras que se afundaram,
Nas sombras negras da solidão
Sem ousar ser o que deveras ser,
Imune da loucura necessária,
Do riso, do pranto, da paixão.

Vou-me ouvindo sua voz latejante,
Breve, recalcada de pedidos de perdão,
Ombros pesados, soberbos de dores
Ilusão negada, alegria permissiva;
Sigo a solidão dos eus indecisos
E os descaminhos em mim se perderam.

Vou-me, nem tanto feliz, nem saudosa,
Apenas pelo compromisso de ir-me.
A vida rega a flor; esconde a rosa!
Uma é só maciez, brilho e cor;
A outra: espinho, sangue e dor;
Duas imbatíveis realidades: vida e morte!