Paixão
Vaga, pluma leve ao vento,
Vai cadente, livre, rente...
Crepuscular, dia profano,
Invade, arde e sempre avante!
Segue o ritmo da íris
Vislumbra o dia, semeia noite
Que em ode louco, ainda diz,
Vocifera símbolos infantes
Arde em fogo ardil
Queima a alma solícita
Do âmago purulento e sutil
Flamejante que aqui habita
Uma alma que soçobre
Uma asa esgarçada e asmática
Um espaço vazio e esnobe
Uma carne estraçalhada a sangrar
Chega ao cais de um porto vago
Lança a arma do mar possível
Toca a música do sol a partir...
Bêbados, loucos, e críveis!
Olhar ao horizonte caminheiro,
Sem o ver, a esmos, em ânsias...
Segue a volúpia bravia, inteira...
Entregue, bamba e insana!
Assim, segue a paixão devota
Sem rumo, paradas ou descanso
Nada preenche, nada esgota...
Tudo é louco e nada atravanca!
Kátia Teixeira