Deito a letra morta de significados. Apenas paredes brancas e vazias. Um olhar rápido me sugere que algo se movimenta desejoso de apresentação. O silêncio é mais que profundo e nada. Nada mesmo.O branco parece ausência infinita e dolorosa. A ausência da palavra que não deseja dizer. Fica a morbidez de um instante mais alucinado que razoável. Segue os olhares em busca de nitidez. Não. Exatamente não. Procura lucidez. Isso. Há tanta confusão nas ausências que as palavras se fazem; fica tudo tão meramente sem sentido, sem realidade. E procuro-as enquanto fico a contar cada milímetro de parede. Elas parecem esconder o segredo da folha de papel em branco e as palavras cutucando o cérebro em êxtase. Faz necessário que demonstre esta indefinida precisão de falar e não ser loucura. Dito e não dito. Falo e não digo. Calo e não silencio. Que é de fazer? Libertar as palavras? Mas, não as prendi em lugar algum. Qual o sentido delas se apressarem e se esconderem? Não descobri. Detalhe de ao olhar o teto e agora... faz uns quadros em branco sinalizando ser a cobertura de minha cabeça aérea. Absorta em mim mesma; em um eu que não está pronto nunca; em desmedir o inatingível; em remoer o desmerecimento de ser-me. E onde eu fui? Não saí daquele cubículo quadrado ao qual denomino de meu quarto. Talvez por isso o chame assim. Quarto. Por ter um quarto do tamanho ideal para meu eu vislumbrar um belo desconhecido. Neste percentual vejo o pouco do que sou; percebo a pequenez de não ter sequer um verde a adentrar meus pensamentos inexatos e cinzas. Cinzas. Cimento, muito cimento. Paredes incompletas de quietude de realizar. Mas o quê? Parece que realizações transformam os homens. Nada realizei. Tudo ainda está por vir. Quando? Talvez eu não esteja mais presa neste quarto branco, para contar paredes mortas, brancas como folhas de papel em branco. Branco? Ausentes de uma realidade minha, tão minha. Onde fui? Se daqui nunca saí! Minha alma exauriu a cada suspiro de palavras cortantes. Navalhas afiadas rasgam minhas carnes frágeis. Mergulham em meu ser com mais veemência e vontade de ir mais e mais. Suicídio? Não. Ele sempre fora pronto. Nunca estive neste patamar de intrepidez ou fraqueza. A vida me nega coragem e covardia. Sou do meio. Fico sempre no meio. Não estremeço as paredes que construí e fiquei presa. Elas me detêm. Contida em meio ao turbilhão de emoções(...) eu só. Só,(...) construo minha solidão. Solidão de palavras, de gestos, de pessoas, de vida.(...)
Kátia Teixeira
11.05.2011