Seja bem vindo

Que todos vocês possam ler e deleitar-se com parte do que costumo escrever. Não me considero pronta, estou aprendendo, não deixo tudo que escrevo aqui, apenas uma parte pequena, pois breve pretendo lançar meu livro, onde estará tudo na íntegra.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quisera acreditar no amor que transforma o homem!



Quero perder-me no céu da ilusão de acreditar sempre no homem. Mesmo diante de tantas atrocidades, tantos falsos paradigmas, falcatruas, dissimulações. Imaginar a lisura das atitudes que por ventura ainda possam existir em raros exemplares desta raça.
Não no rosto sisudo; disfarce da prepotência sobre a desfaçatez!
Quero ainda crer na verdadeira educação. Não a castradora, a negativista, a derrotista, mas na libertadora. Na sincera gentileza, na simplicidade de gestos retóricos de cavalheiros que enviam flores, compartilham a vida, ouvem-nos com brandura e faz-nos sorrir quando tudo parece chorar... Não posso crer naqueles que se sentem envaidecidos por carregarem um sobrenome que nada fizeram para tê-lo, mas alardeiam-no com arrogância e orgulho de pertencerem a tal linhagem.
Quero crer naqueles que principiam e escolhem seus verdadeiros caminhos, percursos estes, que os levarão ao sucesso e consequentemente ao reconhecimento por todos do que de fato são e não do quanto têm.
Quero crer na solidariedade sem causa premente. No doar-se e entregar-se por amor. Mas não apenas o amor conjugal, mas o amor fraterno. É nesta entrega em que o verbo condiciona-se ao estado de intransitivo permanente. Amar, apenas amar...
Pois é no amor que se reconhece a si próprio, como um entre milhares: iguais; ou o singular aflorado na diferença: abstração contra a corrente.
Na guerra é muito fácil reconhecer os inimigos; mas, é na vida cotidiana, nos entraves, nos grandes obstáculos que reconhecemos as mãos estendidas a nos presentear com poucas ou grandes palavras. Às vezes, apenas o silêncio de entender e aceitar as grandes diferenças e imperfeições dos nossos semelhantes (amigos), porém, ainda assim, permanecem ali sempre como uma divindade a postos. Pois, somente no amor nos reconhecemos e compreendemos o mundo.
Só existe o amor quando se sabe morrer a si próprio, quando se sabe perder o egocentrismo e doar sem medos. Não se pode amar, sem amar a si mesmo. E esta talvez seja a mais encantadora aventura, quiçá o único prazer que pode durar eternamente.
Se amar é morrer a si próprio; o medo é intrínseco ao amor. É o mesmo medo que uma semente sente ao ser lançada ao solo para morrer. É a morte para o renascimento de outra vida...
Quisera poder encontrar uma humanidade desmedida em seu amor. Que se desacorrentasse dos seus medos e se libertasse de suas balanças.
O amor precisa ser desmedido!

Kátia Teixeira

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Letra morta

Deito a letra morta de significados. Apenas paredes brancas e vazias. Um olhar rápido me sugere que algo se movimenta desejoso de apresentação. O silêncio é mais que profundo e nada. Nada mesmo.O branco parece ausência infinita e dolorosa. A ausência da palavra que não deseja dizer. Fica a morbidez de um instante mais alucinado que razoável. Segue os olhares em busca de nitidez. Não. Exatamente não. Procura lucidez. Isso. Há tanta confusão nas ausências que as palavras se fazem; fica tudo tão meramente sem sentido, sem realidade. E procuro-as enquanto fico a contar cada milímetro de parede. Elas parecem esconder o segredo da folha de papel em branco e as palavras cutucando o cérebro em êxtase. Faz necessário que demonstre esta indefinida precisão de falar e não ser loucura. Dito e não dito. Falo e não digo. Calo e não silencio. Que é de fazer? Libertar as palavras? Mas, não as prendi em lugar algum. Qual o sentido delas se apressarem e se esconderem? Não descobri. Detalhe de ao olhar o teto e agora... faz uns quadros em branco sinalizando ser a cobertura de minha cabeça aérea. Absorta em mim mesma; em um eu que não está pronto nunca; em desmedir o inatingível; em remoer o desmerecimento de ser-me. E onde eu fui? Não saí daquele cubículo quadrado ao qual denomino de meu quarto. Talvez por isso o chame assim. Quarto. Por ter um quarto do tamanho ideal para meu eu vislumbrar um belo desconhecido. Neste percentual vejo o pouco do que sou; percebo a pequenez de não ter sequer um verde a adentrar meus pensamentos inexatos e cinzas. Cinzas. Cimento, muito cimento. Paredes incompletas de quietude de realizar. Mas o quê? Parece que realizações transformam os homens. Nada realizei. Tudo ainda está por vir. Quando? Talvez eu não esteja mais presa neste quarto branco, para contar paredes mortas, brancas como folhas de papel em branco. Branco? Ausentes de uma realidade minha, tão minha. Onde fui? Se daqui nunca saí! Minha alma exauriu a cada suspiro de palavras cortantes. Navalhas afiadas rasgam minhas carnes frágeis. Mergulham em meu ser com mais veemência e vontade de ir mais e mais. Suicídio? Não. Ele sempre fora pronto. Nunca estive neste patamar de intrepidez ou fraqueza. A vida me nega coragem e covardia. Sou do meio. Fico sempre no meio. Não estremeço as paredes que construí e fiquei presa. Elas me detêm. Contida em meio ao turbilhão de emoções(...) eu só. Só,(...) construo minha solidão. Solidão de palavras, de gestos, de pessoas, de vida.(...)

Kátia Teixeira

11.05.2011